Carne bovina deve ser evitada?

Muitas pessoas ficam em dúvida sobre a carne bovina. Elas têm mais gordura e são piores para a saúde cardiovascular em relação às carnes brancas? É melhor consumir as carnes mal passadas ou bem passadas? Quais são os cortes mais magros? Existe uma frequência de consumo recomendada?
Para começar, as carnes em geral são fonte de proteínas de alto valor biológico e são a melhor melhor fonte de ferro da alimentação, pois o ferro já está uma forma altamente biodisponível, diferentemente do ferro do feijão que precisa de vitamina C para ser bem absorvido. Também se destaca por conter vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K) e hidrossolúveis, principalmente vitaminas complexo B. Em especial, as carnes bovinas contêm vitamina B12, que quando deficiente pode levar a um tipo de anemia, chamada anemia megaloblástica.
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O que varia bastante entre os diversos cortes bovinos é a quantidade de gordura. Cortes como alcatra, patinho, lagarto e músculo são cortes com baixo teor de gordura, semelhante às carnes brancas magras. Já outros cortes tidos como cortes magros, como o filé mignon, não tem tão pouca gordura como muitas pessoas acham. A gordura no filé mignon não está aparente e concentrada em uma região, como a capa de gordura da picanha. No filé, a gordura está entranhada na carne.
Outro fator importante a ser considerado, além da quantidade de gordura das carnes, é como o gado é criado hoje. Não vou entrar em questões filosóficas, pois como carne e considero um alimento excelente, mas hoje o gado é criado confinado e alimentado com ração, uso excessivo de medicamentos, etc., e isso influencia na composição final da carne e gordura que compramos no açougue. Boa parte dessas substâncias, como os antibióticos, às quais o gado é exposto, tem natureza lipofílica (tem afinidade com gordura) e são armazenadas no tecido adiposo do animal e acabam chegando as nossas mesas. O gado criado solto, alimentado com pasto acaba gerando a formação de gorduras mais saudáveis para nossa saúde.
De um modo geral eu oriento meus pacientes a dar preferência a cortes magros, por exemplo: patinho para carne moída, músculo para carne cozida, lagarto desfiado ou recheado com vegetais, bife de alcatra ou de contra filé sem capa de gordura. Prescrevo carnes mais gordas quando o paciente precisa, por exemplo por estar com o colesterol baixo demais (sim, isso acontece! rsrs).

 
Sobre a frequência de consumo, não existe uma média ideal para todos. Há quem se beneficie pelo consumo diário, às vezes mais de uma vez ao dia, como algumas gestantes (o bebê “rouba” muito ferro da mãe), indivíduos com anemia, mulheres que perdem muito sangue no período menstrual. Já outros devem consumir mais esporadicamente, por estarem retendo ferro além do ideal e isso acaba aumentando o risco cardíaco.
Então, carne vermelha não é necessariamente nem um veneno e nem um remédio, mas pode perfeitamente fazer parte de uma dieta saudável, tudo depende de uma correta orientação nutricional e ajuste alimentar individualizado.
Por Nutricionista Renato França
– Diplomado pelo The Institute for Funtional Medicine (EUA)

– Especialista em musculação e treinamento de força pela UnB
– Sócio-proprietário da Clínica de Nutrição Esportiva e Funcional Renato França em Brasília – DF
– Instagram @nutricionistarenatofranca
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