Qual é meu peso ideal? “Gordura x Músculos”

“Qual é meu PESO IDEAL?” Essa é uma pergunta que recebo frequentemente na primeira consulta. Geralmente os cálculos para se chegar a esse valor são feitos a partir de uma relação entre peso e altura. Na prática, o peso corporal acaba não sendo o principal indicador nem de saúde e nem de estética. Outros fatores como % de Gordura e distribuição da gordura corporal acabam sendo mais importantes.
Na foto está exemplificado o que é 1kg de gordura e 1kg de músculos. É possível perceber que a gordura é muito menos densa que o músculo e portanto ocupa um volume muito maior no corpo.
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Muitas pessoas ao iniciarem um treinamento de força associado a uma boa dieta, começam a notar redução de medidas, mas sem apresentar grande redução no peso corporal. Isso ocorre pelo ganho de massa muscular concomitante à redução da gordura. Essa pequena redução do peso é um pouco difícil de entrar na cabeça de muita gente, principalmente das mulheres, que acabam ficando mais “paranóicas” com o peso corporal.

Para avaliação populacional, quando não é possível melhor uma avaliação individual, existe o recurso do índice de massa corporal (IMC), que é calculado pelo Peso/Altura2. Segundo o IMC, o peso ideal poderia ser estabelecido para um IMC entre 21 e 22. Mas para avaliação individual ou de uma população pequena o IMC acaba sendo um dado bastante limitado, principalmente para praticantes de exercícios físicos. Tenho vários pacientes com IMC dentro da faixa de sobrepeso, mas que na verdade estão com o peso de músculos elevado, baixo %Gordura, excelente físico e saúde.
Para uma melhor avaliação é recomendável a utilização de um método para estimar a composição corporal, como por dobras cutâneas, bioimpedância, DEXA, etc. Assim é possível ter uma melhor idéia da composição do peso corporal e ir monitorando a evolução do paciente.
Cada método tem suas particularidades e o profissional deve orientar o paciente para o correto preparo para a avaliação e deve saber utilizar corretamente os dados fornecidos. Eu, particularmente, prefiro avaliar pelas dobras cutâneas e acho a melhor ferramenta para me fornecer os dados para minha conduta. Mas não condeno outros métodos, desde que sejam respeitados os devidos preparos.

Além do peso e percentuais de gordura e de massa magra, outro dado de grande importância é a circunferência abdominal, medida com a fita métrica em volta do corpo, passando por cima da cicatriz umbilical (umbigo). Acho bem importante fazer também a perimetria.
Um artigo de Share BL, publicado em 2013 no Journal of Science and Medicine in Sport, analisou em mulheres a relação de marcadores sanguíneos de risco cardiovascular com medidas antropométricas simples (peso e circunferência abdominal). Os resultados encontrados foram relação com relevância estatística entre circunferência abdominal elevada (> 80 cm para mulheres) e maiores valores de insulina em jejum e proteína c reativa, que são marcadores de risco cardiovascular e de síndrome metabólica. Isso quer dizer que quanto mais a gordura estiver concentrada na região abdominal e quanto maior a circunferência abdominal, maiores são os riscos cardiovasculares.
O que a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda é manter a circunferência abdominal menor que 80cm para as mulheres e menor que 94cm para homens, visando reduzir o risco cardiovascular.
No meu dia-a-dia na clínica, para ajudar a esclarecer o que está acontecendo ao longo das consultas eu faço a avaliação do percentual de gordura por dobras cutâneas e associo a perimetria completa (incluindo a circunferência do abdômen, braços, quadril, etc.). Periodicamente gosto de solicitar e analisar alguns marcadores sanguíneos que indicam como está sendo a qualidade do peso perdido e a repercussão disso no metabolismo corporal.
Sempre que o paciente concorda, após fazer todas as medidas na consulta, também tiro fotos frontal, lateral e de costas. Contra imagens não há discussão. Digo isso porque o que costuma acontecer é que as pessoas vão se acostumando as mudanças adquiridas no corpo e acabam esquecendo como estavam há 30, 45 dias atrás e aí as fotos acabam relembrando e possibilitando uma comparação visual melhor. Quando comparo as fotos de diferentes consultas é possível ver quanto já evoluiu e isso se torna um fator motivador para continuar evoluindo.
Para finalizar, a mensagem que deixo é que: peso é um bom dado e não deve ser desprezado, mas ele sozinho muitas vezes é insuficiente e por isso acaba sendo impossível estabelecer um peso ideal.
Por Nutricionista Renato França
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