Um novo olhar sobre a obesidade: uma doença inflamatória.

A obesidade é uma doença resultante da interação entre diversos fatores, genéticos e ambientais. Cada pessoa nasce com genes para determinadas características em seu DNA, sua pré-disposição genética. Mas, as influências ambientais irão influenciar em quais genes serão ativados e assim quais características serão expressas.

A alimentação e o estresse fazem parte dessas influências ambientais e sua relação com a gênese da obesidade já vem sendo bastante discutida ultimamente. Porém, a exposição a toxinas ambientais e capacidade do corpo humano de eliminá-las (destoxificação) também são pontos-chave na prevenção e no tratamento da obesidade.

evoluo obesidade

Hoje em dia, a exposição excessiva a toxinas ambientais e uma baixa capacidade de destoxificação são importantes fatores para a resistência na perda de peso. Isso serve para aquelas pessoas que dizem ter uma alimentação saudável, tanto quali quanto quantitativamente, mas não conseguem emagrecer, ou quando emagrecem, recuperam o peso perdido muito rapidamente, gerando o famoso efeito sanfona.

Mas quais são essas toxinas ambientais que influenciam na obesidade? São pesticidas e agrotóxicos em frutas e verduras, solventes, corantes, resíduos de embalagens plásticas que são liberadas nos alimentos industrializados, metabólitos de medicamentos, metais pesados como chumbo e mercúrio provenientes principalmente de consumo de peixes oriundos de águas contaminadas (salgada e doce).

Com exceção dos metais pesados, a maior parte dos compostos tóxicos acima citados são lipossolúveis, ou seja, são solúveis em gordura. Por isso, o local onde eles terão maior afinidade para serem armazenados no corpo humano é o tecido adiposo. E lá, as toxinas são reconhecidas como corpos estranhos por células do sistema imunológico, o que irá desencadear uma reação inflamatória no local, dificultando o processo de emagrecimento.

Porém, não devemos nos preocupar apenas com a redução da nossa exposição às toxinas, mas também ao fortalecimento das vias de destoxificação. Como 90% do sistema de destoxificação residem no fígado e no intestino, é fundamental que se garanta o suporte nutricional para o funcionamento adequado desses órgãos. Seguem algumas dicas de alimentação visando melhorar a destoxificação e reduzir a inflamação corporal excessiva:

  • Reduzir a exposição às toxinas: consumir menos alimentos industrializados e mais in natura; guardar os alimentos em embalagens de vidro ao invés de plástico; consumir água filtrada em filtro de carvão ativado; cessar tabagismo;
  • Melhora do trânsito intestinal: ingestão de frutas, hortaliças e cereais integrais (fontes de fibras); beber de 8 a 12 copos de água por dia;
  • Preferir o consumo de alimentos orgânicos, principalmente para pimentão, morango, uva, tomate, cenoura, pela alta quantidade de agrotóxicos usada no cultivo;
  • Regulação da microbiota intestinal para reduzir a produção de endotoxinas (toxinas produzidas por bactérias patogênicas no intestino): controlar o consumo de açúcar, doces, produtos feitos com farinhas refinadas – esses alimentos favorecem o desenvolvimento dos microorganismos patogênicos do intestino; consumir frutas, hortaliças e cereais integrais;
  • Comer pelo menos 1 xícara de chá por dia dos vegetais do grupo Brássicas, como couve, couve-flor, repolho, brócolis;
  • Ingestão de bioflavonóides e antioxidantes: suco de uva tinto integral, açaí, chá verde, frutas cítricas, uva, maçã, amora, cereja, vegetais folhosos verde-escuros (rúcula, agrião, espinafre, couve), castanha-do-pará, linhaça, entre outros.

Por Nutricionista Renato França

– Diplomado pelo The Institute for Funtional Medicine (EUA)

– Especialista em musculação e treinamento de força pela UnB

– Sócio-proprietário da Clínica de Nutrição Esportiva e Funcional Renato França em Brasília – DF

– Instagram @nutricionistarenatofranca

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